Swing Girls (2004)

Swing Girls

スウィングガールズ (Suwingu Gāruzu)

Por Marco Souza

スウィングガールズ © Toho Co.

Big Band é uma expressão que designa uma orquestra de jazz, um tipo de grupo musical que foi muito popular entre a década de 1930 e a década de 1950. Esse tipo de grupo musical ainda existe hoje em dia, em escala menor, e é formado por doze a vinte e cinco músicos que tocam variados instrumentos como saxofones, trompetes, trombones, vibrafones, etc. Músicos consagrados como Benny Goodman, Count Basie e Duke Ellington tiveram Big Bands, que floresceram na chamada Era do Swing, um período em que o jazz era a música mais ouvida pelo público e mais tocada pelos músicos, e o swing, um termo que designava um tipo de ritmo de jazz que entretia os ouvintes com melodias envolventes.

スウィングガールズ © Toho Co.

O cinema japonês relembra as Big Bands e lhes dá uma roupagem contemporânea no filme Swing Girls (2004). Dirigido por Shinobu Yaguchi e roteirizado por ele (com a contribuição de seu pai, Junko Yaguchi), o filme leva as Big Bands ao mundo das colegiais japonesas. Com um enredo criativo e encantador, a história é sobre um grupo de colegiais japonesas que acabam formando uma Big Band. A trama se passa na cidade japonesa de Yamagata, e no filme, as atrizes falam usando o dialeto típico de Yamagata. As atrizes também tocam, de verdade, todos os instrumentos da Big Band, e elas foram aprendendo a tocar ao longo das filmagens, assim como as personagens delas também foram aprendendo a tocar ao longo da história. A inspiração para fazer o filme, surgiu quando Yamaguchi teve contato com um grupo real de colegiais japonesas que tinham fundado uma Big Band. As garotas e o jazz que elas tocavam, impressionou Yaguchi e o estimulou a criar um filme em cima do fato. O pai dele colaborou no roteiro por ser um grande conhecedor de jazz.

Swing Girls é uma comédia que trabalha em cima do gunshu geki, um modelo de comédia japonesa que se desenvolve em cima de vários protagonistas. Seguindo as garotas que compõem a Big Band e as pessoas que transitam em torno delas, cada personagem é um tipo bem delineado que tem um papel bem específico dentro da trama. Construído em cima de situações cômicas muito sutis, o filme funciona a partir de personagens comuns com um cotidiano corriqueiro e que, de repente, se veem tragados por uma situação totalmente incomum. Swing Girls cria uma atmosfera leve e edificante que faz com que acompanhar a transformação das garotas de um grupo desajeitado e inconsequente em uma banda de músicos de verdade seja uma experiência divertidamente agradável. O filme de Yaguchi tem uma narrativa milimetricamente estruturada por personagens e situações feitos para agradar e entreter o espectador. Como se fosse um misto de Yasujiro Ozu com Woody Allen, ou de Yoji Yamada com John Hughes, Swing Girls mostra uma comédia japonesa conectada com o cinema mais moderno, e, acima de tudo, com um Japão contemporâneo que carrega em si a leveza e a complexidade que alcançam as notas envolventes do ritmo do swing.

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Marco Souza é jornalista, vice-coordenador do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP, doutor em Comunicação e Semiótica e autor do livro Kuruma Ningyo, O Teatro de Bonecos no Japão.

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