Resenhas: Linda Linda Linda (2005)

Linda Linda Linda

リンダ リンダ リンダ (Rinda rinda rinda)

por Marco Souza

リンダ リンダ リンダ © Viz Pictures

[ENGLISH]

Bandas de rock e adolescentes são dois assuntos que o cinema sabe combinar com maestria. Pode-se até dizer que, apesar de não ter uma classificação específica, os filmes que misturam rock com adolescência são uma espécie de gênero cinematográfico por causa da quantidade considerável de películas já feitas com essa temática. Um dos pontos altos desse tipo de filme é, obviamente, a trilha sonora que deve ser sempre recheada de músicas de apelo forte para o público adolescente.

A música de sucesso Linda Linda da banda japonesa de punk rock, The Blue Hearts, além de fazer parte da trilha sonora também serviu de inspiração para o título do filme japonês Linda Linda Linda (2005). O acréscimo de mais uma Linda no título teve como intenção frisar que toda a história transcorre durante três dias. O filme conta a história de um grupo de quatro garotas do colegial que decidem montar uma banda para um festival da escola. Três dias antes do festival, a guitarrista e vocalista deixa a banda. Com uma integrante a menos, Kei (Yuu Kashii), Kyoko (Aki Maeda) e Nozomi (Shiori Sekine) decidem continuar, fazer um cover da The Blue Hearts (mais especificamente da música Linda Linda) e achar uma nova vocalista. Elas pegam a primeira que aparece, Son (Doo-na Bae), uma estudante coreana de intercâmbio que não é fluente em japonês, o que leva a dificuldades e incompreensões. Através da partilha de muitos problemas pessoais e de problemas de escola, as quatro encontram amizade, amor, compreensão e muita diversão em um dos períodos mais difíceis e igualmente alegres da vida: a adolescência.

リンダ リンダ リンダ © Viz Pictures

O filme segue as quatro meninas através de ensaios longos, situações do dia-a-dia e encontros desajeitados com garotos e professores. Os entraves e o tédio da vida escolar são encenados com uma simplicidade refrescante, e a atuação do quarteto de atrizes tem uma naturalidade especial que transmite um desempenho de qualidade e seguro de cada uma, apesar delas terem idades correspondentes as personagens que interpretam. O diretor e roteirista Nobuhiro Yamashita filma em externas, com ângulos abertos e com enquadramentos básicos, muitas vezes, observando suas protagonistas à distância como se também fosse um espectador. A principal intenção de Yamashita é mostrar o vínculo e a cumplicidade que se estabelece entre as quatro, tanto que em determinado momento as roupas e os uniformes delas fazem com que elas fiquem praticamente idênticas, sendo apenas distinguível o nível da amizade que se formou entre elas.

Em termos de conflito, não há um prêmio de competição ou um contrato de gravadora em jogo, muito menos uma banda rival no papel de vilã. São personagens comuns que se esforçam para conseguir tocar a música escolhida, pelo simples motivo de ser algo que elas se propõem a fazer. Não há nenhuma grande questão ou motivação por trás da banda. A maneira como a história é narrada captura um cotidiano sem grandes aspirações ou situações, mas, momentos menores e íntimos que retratam a importância do corriqueiro na vida delas. Mesmo assim, Linda Linda Linda vai progressivamente envolvendo e atinge seu clímax na apresentação da banda nos últimos minutos do filme. E é com uma performance exuberante da banda que fica claro como é do cotidiano comum que sempre surgem os momentos mais sublimes.

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Marco Souza é jornalista, vice-coordenador do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP, doutor em Comunicação e Semiótica e autor do livro Kuruma Ningyo, O Teatro de Bonecos no Japão.

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