Calmi Cuori Appassionati (2001)

Calmi Cuori Appassionati

冷静と情熱のあいだ (Reisei to jōnetsu no aida)

por Marco Souza 

冷静と情熱のあいだ © Fuji TV

Verona é a cidade italiana na qual transcorre uma das mais famosas histórias de amor do mundo, a trama shakespeariana de Romeu e Julieta. Cidades como Roma, Milão, Genova e Veneza também contribuíram para notabilizar o solo italiano como um palco propício para as mais variadas histórias de amor sobre casais como Vanina e Guidobaldo ou Dante e Beatriz. Na cidade de Florença, berço da Renascença, mais uma história de amor conseguiu reunir como protagonistas Kelly Chen, cantora pop de Hong Kong, e Yutaka Takenouchi, um dos principais galãs japoneses.

冷静と情熱のあいだ © Fuji TV

Calmi Cuori Appassionati (2001) é um filme japonês que trata dos típicos dramas das histórias de amor. Junsei (Takenouchi) é um talentoso artista que está restaurando arte para uma grande empresa em Florença. Ele mora na Itália e tem um relacionamento com uma garota (Ryoko Shinohara) que só quer sua atenção e não entende por que ele não mostra seu amor por ela. Na época da faculdade no Japão, ele namorou o verdadeiro amor de sua vida, Aoi (Chen), que vive em Milão e namora um empresário (Michael Wong), até que um dia, Aoi reencontra Junsei. O reencontro do ex-casal é o ponto de partida para as idas e vindas da narrativa sobre a ligação amorosa deles. As fases e os problemas do relacionamento dos dois vão sendo revelados por períodos de anos diferentes ao longo de flashbacks.

Calmi é um filme intencionalmente bonito, a cenografia, a iluminação, os ângulos de câmera, cores aveludadas, luzes naturais, uma atmosfera encantadora, tudo foi minuciosamente elaborado desde a escolha dos atores (que expressam os personagens mais com olhares e linguagem corporal do que com palavras) até a plasticidade das tomadas. Com cenas filmadas na Itália e no Japão, o filme é falado em japonês, italiano e inglês. Pontuado por uma trilha sonora, íntima e evocativa, com Enya e Ryo Yoshimata, a história busca um tom internacional (até na escolha de uma atriz chinesa para uma produção japonesas), mas, mesmo assim, as características japonesas se destacam e criam toda a ambiência do filme. Misto de filme de arte com melodrama amoroso, Calmi tem um elenco preciso, com personagens e situações bem construídas. A história leva o espectador para dentro do filme, se montando aos poucos e incitando a curiosidade sobre os detalhes da relação dos dois e sobre o que vai acontecer no final.

冷静と情熱のあいだ © Fuji TV

Baseado em um romance de Kaori Eguni muito popular no Japão, a direção de Isamu Nakae e o roteiro de Fumie Mizuhashi e Jinsei Tsuji são fiéis ao livro e também acrescentam outros detalhes. O paralelo entre arte e amor é um dos aspectos mais interessantes do filme, Junsei é uma artista com capacidade para restaurar obras de arte, mas, inapto no amor e na tentativa de restaurar sua relação com Aoi. Assim como o paralelo com melodramas hollywoodianos, o encontro marcado pelo casal na Catedral Santa Maria Del Fiore, lembra o encontro marcado no Empire State Building pelos protagonistas de Tarde demais para Esquecer, que foi filmado pela primeira vez em 1939 e teve dois remakes em 1957 e 1994. Continuando o paralelo com arte e amor, Calmi é como se fosse uma escultura esculpida e polida que transparece não apenas o tema das relações amorosas, como toda paixão com que o filme foi feito.

 *

Marco Souza é jornalista, vice-coordenador do Centro de Estudos Orientais da PUC-SP, doutor em Comunicação e Semiótica e autor do livro Kuruma Ningyo, O Teatro de Bonecos no Japão.

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